Extra! Extra! Existem Diretrizes no Jornalismo!

Muitos estudantes de jornalismo desistem no meio do caminho pois não tem acesso a uma definição clara do papel do jornalista para a sociedade nos dias atuais

Ao longo do curso de Jornalismo, aquela ideia de que “Jornalismo não tem definição” sonda e atormenta todos os estudantes. E atormenta no pior sentido da palavra: desencoraja, desestimula, e faz os alunos acreditarem que estar ou não na faculdade não vai fazer a mínima diferença. Aliás, contar com uma grade curricula “esfumaçada” e aulas e provas sem a consistência antes encontrada no dia-a-dia dos tempos de colégio é um desafio assustador para o talvez futuro jornalista.

“Por que escolhi uma profissão “se rumo”, de propósitos “esvaziados”, cada vez mais deteriorada pelos interesses das grandes corporações midiáticas e seus respectivos empresários? E onde, no meu curso, encontro pelo menos um norte, uma trilha, um caminho, uma luz que possa me ajudar a entender, antes que eu desista, o que é ser jornalista no meu contexto histórico e social?”

Antes de optar por jornalismo, assim como alguns outros estudantes da área, voltava meus estudos para um dia ser médica, e cheguei a fazer estágio na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, no Laboratório de Bacteriologia. Lá, estudava bactérias do gênero bacillus, especialmente as que produziam uma espécie de cristalzinho, capaz de liberar uma toxina que destruia as microvilosidades intestinais de insetos. Entre esses insetos, a lava do mosquito da dengue.

O interesse dessas pesquisas, para a sociedade, era enorme. Para a comunidade carioca, Dengue é uma palavra perigosíssima, e, infelizmente, ainda muito corrente. Minha irmã mais nova, por exemplo, já teve dengue umas 2 ou 3 vezes. E não por descuidado da minha mãe com o jardim, mas por falta de vontade política. Nesse sentido, pesquisas que pensem novas alternativas para o combate a essa praga que mata, como os bioinseticidas, são de extrema utilidade e relevância pública.

Mas por que lembrar disso?
Por mais que eu estivesse trabalhando diretamente com a busca de soluções práticas para esse grave problema, me sentia frustrada “trancafiada em um laboratório”, pesquisando e me aprofundando em um único tema – as fofas bactérias -, em um ambiente silencioso, e calmo demais. Além disso, depois de ter tanto trabalho cultivando as bichinhas, ter que jogá-las fora, “descartá-las” em material que as exterminava… que dor, que chato, que “criatividade” jogada fora, limitada pela linguagem presa e burocrática dos relatórios e textos científicos…

Foi na época em que saí da Fundação que comecei a ter a esperança de que no jornalismo também encontraria o prazer de lidar diretamente com as necessidades da sociedade, em diversos âmbitos da vida humana: política, educação, economia, cultura, saúde, entretenimento… Acredito que essa esperança está presente em todo calouro, inclusive em mim. Mas essa mesma esperança vai murxando ao passar dos semestres, principalmente se ainda está esfumaçada a definição de Jornalismo, os motivos da existência dessa profissão para o hoje e o amahã próximo.

Cadê a luz? O caminho? O esclarecimento sobre o que estou fazendo aqui e o que vou fazer como jornalista?

Talvez não todos, mas VÁRIOS esclarecimentos estão sim contidos nas tais Diretrizes Curriculares Nacionas par o Curso de Jornalismo, instuidas pelo Ministério da Educação (MEC) e reformuladas em 2009. Aparentemente, isso é coisa para professor e coordenador de curso, ou para chefes de departamentos. Porém, depois de ler, me pareceu ainda mais útil para os alunos; para mim, como aluna.

Digamos, resumidamente, que há sim diretrizes, definições, conceitos concretos para a profissão, para o jornalista e para o aspirante. Há sim o que deveria ser ensinado de maneira bem específica na faculdade, que dizem respeito ao cotidiano de uma vida jornalística. Há valores, técnicas, mecanismo e história a serem repassados e lembrados.

Isso eu descobri ao longo das pesquisas para a produção do site sobre o ensino de jornalismo, o que colaborou para eu ter uma certeza pessoal: ver aluém jogand fora ou gnorado um jornal com uma matéria minha dentro é menos pior que jogar a bactéria fora. Se uma pessoa ler uma matéria minha e se sentir bem informada, ou mesmo com seu senso crítico e desejo por debates aguçado, já valeu a pena milhares de jornais jogados fora.

Só não sei se isso agradaria muito meus futuros patrões… Mas para resolver isso, o documento com as Diretrizes já salienta e reconhece que o impresso não deve mais ser considerado como espinha dorsal do jornalismo. Facebook e Twitter, aguardem essas novas gerações!

Jornalismo angolano também ganharia coroa de ‘miss universo’?

Referência.

Essa é a palavra “diretriz” da nossa missão para a produção do site sobre Ensino de Jornalismo no Brasil e no Mundo. Tanto no que queremos ser, para os interessados no assunto, quanto no que diz respeito a busca constante do que vamos considerar como nossas referências.

Angola não entrou para lista dos países sobre os quais vamos pesquisar, nem nenhuma outro país da África, mas Estados Unidos e Europa sim, entraram, cheios de referências, escolas e universidades “Tops”.

Quando isso foi determinado em reunião da turma, o que me incomodou foi a seguinte questão: Seria assim tão difícil encontrar um curso de Jornalismo na África que se apresentasse como referência para nós, brasileiros, e até para países desenvolvidos? Não é uma ideia errada e pré-concebida esta que já diz ‘de cara’ que ‘não’, a África não vai ter nada, e não é referência.

Saí inquieta, com vontade de encontrar vários argumentos que me permitissem contradizer isso! Ou mesmo que me apontassem o motivo de na África não haver cursos de referência.

O destino me reservou a possibilidade de conversar com um amigo angolano, que curiosamente mora no Brasil há cerca de 3 anos e está aqui para estudar Jornalismo.

Essa conversa foi por email.

– Cara, por que você veio para o Brasil? Em Angola não tem bons cursos?

Sua resposta foi infelizmente positiva para a minha segunda pergunta. Mas se ficar curioso, colo aqui a íntegra das palavras do meu amigo angolano. Quase no final do email, uma informação tão óbvia, mas que foge dos nossos entendimentos e percepções, porque temos relativa ‘liberdade’ de sermos jornalistas, ou ao menos de pretendermos. Não considerá-la e não pensar em suas implicações é o que nos faz errar achando que a África não tem bons cursos porque é um continente pobre. Não, não é exatamente por isso…

Bem, deixa-me responder a sua pergunta.

Olha o ensino do jornalismo na Africa, particularmente em Angola, ainda é um pouco embrionário, está numa fase de implementação. Até ao ano 2001 não havia nenhum curso de jornalismo, aliás, se for ver bem, ainda hoje não existe nenhum curso de jornalismo. Tem um curso designado “Ciencias da Comunicação” que teoricamente todo mundo que faz esse curso sai habilitado como “comunicólogo”, mas acabam indo por jornalismo, então o curso tende a ser mais para jornalismo do que comunicação propriamente dito.

O primeiro curso de Ciencias da Comunicação em Angola surgiu em 2002. As faculdades são boas, mas carecem de infra-estruturas fisicas e técnicas adequadas. As faculdades onde são ministrados os cursos de ciencias da comunicação a maioria nao tem estudios (TV e Radio) nao existem disciplinas voltadas ao experimento técnico, como por por exemplo um jornal universitário, etc. As universidades não possuem TV´s, Rádios e Jornais. Uma outra vez, os alunos visitam algum orgao de mídia para se inteiram do funcionamento, etc, mas experiencia como tal, de mexer em equipamentos, editar, etc, é quase que inexistente.

Quer dizer, nestes cursos de Ciencias da Comunicação em Angola voce tem um embasamento teórico muito grande em detrimento de experiencias praticas. Isso certamente acarreta algumas deficiencias tecnicas ao longo da formação e dos primeiros anos como profissional. Isso, geralmente acaba sendo regra geral em toda a Africa. Moçambique por exemplo já tem curso de jornalismo na Universidade Eduardo Mondlane (pública), mas também sofre com carencia de infra-estruturas técnicas e fisicas.

Ah, e outra coisa, o fator democracia também é muito importante para o jornalismo. Lá por exemplo, muitas coisas ainda são feitas timidamente em função das lacunas democráticas, as mídias públicas são todas “chapa branca”, as mídias privadas são detidas por altas figuras do regime, então acabam sempre sendo uma caixa de ressonancia da mídia pública. Concluindo, Não há jornalismo independente e isento, como por exemplo o praticado no Brasil, que apesar de atender alguns interesses, é mais plural e aberto.

Contudo veja aqui alguns links de mídias de Angola, até para te facilitar fazer uma análise e/ou comparação técnica em relação a mídia brasileira:

Mídia Pública:

www.jornaldeangola.com (Jornal público, único diário do país)

www.angop.ao (Agencia de Notícias Pública)

www.tpa.ao (Televisão Pública de Angola)

www.rna.ao (Rádio Pública, emite para todo país)

Mídia Privada:

http://www.semanario-angolense.com/home/ (Jornal Semanal)

www.opais.net (jornal semanal)

www.club-k.net (Portal de Notícias, mantido dissidentes das politicas da governo)

Segue abaixo o site de algumas universidades, públicas e privadas que ministram os cursos de ciencias da comunicação:

www.unia.ao/main.php?id=400 (Universidade Independente de Angola Unia – Privada)

www.uan-angola.org/ (Universidade Agostinho Neto (a maior e melhor de Angola) – Pública)

universidadepiagetbenguela.blogspot.com/2011/02/universidade-jean-piaget-angola.html (Universidade Jean Piaget – Privada)

Bem Glenda, acho que aqui resumi o mais essencial. Qualquer dúvida estou a disposição.

Exitos neste vosso ambicioso projeto. Parabéns pela pertinencia do tema em questão.

beijos

Talvez, assim como a Miss Universo, angolana, representou seu povo e seus valores, mesmo sendo uma única voz, podemos pensar nesse email como a voz angolana sobre o ensino de jornalismo.

Quem lê jornal todo dia?

Gordo, fumante, sedentário. Cadê o repórter de verdade?

Para inaugurar o blog, o primeiro post lança algumas questões.

Os cursos de jornalismo, no Brasil, estimulam seus alunos a ler os jornais – impressos, online ou telejornais – todos os dias? Ou melhor, o curso – o que envolve o conjunto de professores, as atividades curriculares, o ambiente universitário, a cobrança do mercado de trabalho, entre outros aspectos – dá os subsídios para que o estudante crie o hábito de ler, analisar e criticar a produção dos colegas já militantes na profissão? E os subsídios para tornar o futuro jornalista sensível às questões que envolvem as necessidades humanas? Aprimorar a habilidade de pensar no outro? Questionar as injustiças? Repassar as estratégias para que eles consigam poder por meio das palavras?

Na nossa socidade, o poder é a principal arma para alcançar mudanças estruturais, que venham ocasionar melhoria da qualidade de vida nas comunidades. Educação, Saúde… Então, como ter poder por meio das palavras? Os estudantes estão preparados para isso? Vão usar essa arma de forma eficaz depois que se formarem? Ou vão continuar cultivando o ‘olhar para o próprio umbigo’, cultivado erroneamente em muitas das nossas faculdades…

Um grande desafio para as faculdade de jornalismo, talvez, seja descobrir como ensinar a ser ‘ser humano’ como jornalista e, ao mesmo tempo, se preocupar em aprimorar nos alunos as capacidades técnicas exigidas pelo mercado de trabalho.

Qual tem sido as estratégias, escolhas e caminhos das universidades?

Como o aluno lida com isso?

Esse texto está embolado, assim como essas questões também estão na mente dos envolvidos no caso. Quem sabe ao final do semestre não conseguimos dados sólidos sobre o ensino de jornalismo? Seria um bom começo para elaborarmos um jornalismo prazeroso, merecedor de honra, coerente, animador e justo.

Eu pretendo ser menos pior todos os dias. E acredito amadurecer algumas ideias e ter a resposta para algumas dessas perguntas até o final deste blog. Talvez, caso eu consiga, seja visível algum amadurecimento e outras concretizações. Afinal, o ser humano muda, transforma seus ideais e forma de enxergar o dia-a-dia da profissão, da família, dos amigos…

E para mudar, o primeiro passo são as perguntas, que é a forma como começa este trabalho.